Traição no Asfalto
Os campeonatos de Mario Kart - Double Dash, na MrNet (onde trabalho) são um ritual que se repete todos os dias a seguir ao almoço e ao final da tarde. É uma forma divertida de juntar a malta e descomprimir. Ainda assim o nível competitivo é elevado, sendo que se recorre frequentemente ao malbaratismo obsceno quando a prova não vai de feição.
O número de competidores em cada campeonato varia conforme a disponibilidade de cada um, e ultimamente tenho queimado borracha contra a minha querida amiga Joaninha, em corridas mano a mano capazes de fazer o Michael Shumacher parecer uma lesma octagenária com osteoporose. Tal competitividade fez emergir a mais vil e traiçoeira manobra anti-desportiva que o mundo do Mario Kartismo mundial jamais houvera visto.
Segue-se o relato da ocorrência:
Na fase final da corrida, a Joaninha apoderou-se de um nuke - concha teleguiada que rebenta sempre com o corredor que está em primeiro lugar, mesmo que seja quem a lança - confiando na minha honestidade e espírito desportivo perguntou-me, sem consultar o marcador das posições:
"És tu que vais à frente? Ou sou eu?"
Momentos antes tinha havido uma troca de tiros e eu estava em segundo lugar, num caminho alternativo ainda a deitar fumo pelas nádegas, mas face à possibilidade de levar com um nuke no trombil, decidi dar o golpe e respondi:
"Sou eu, claro!"
"Mas não te vejo..." Disse a Joaninha
"Ui, já lá vou muito à freeeeente"
"Então toma lá!" E lançou o nuke... que deu uma piruetazinha no ar e lhe rebentou em cima com uma nuvem azul incandescente, mandando o carro para o galheiro com os repectivos ocupantes a guinchar histericamente.
Ganhei a corrida, mas a traição no asfalto foi um episódio negro da história da humanidade. Um testemunho do que de mais excecrável há no esgoto profundo da alma humana, um flagelo ao nível do terrorismo, a inquisição, ou o teatro de revista.
Este post é um pedido público de desculpas, mas desculpas a sério, nada daquelas merdas tipo igreja católica:
"Prontos ok, queimámos uns quantos bacanos na fogueira por terem gatos pretos... ok umas dezenas de milhares... sim, sim, e há a cena das cruzadas yá, mas isso, tipo, era pa libertar lá a cena man... e fanar o guito aos monhés ok, mas fonix! Qual é a vossa onda? Caguem lá nisso man, isso foi já foi à culhoé!"
Vai daí que a partir de agora prometo abandonar a mentira e a dissimulação maquiavélica (que remédio, já não pega mais vez nenhuma) e vou-me limitar à ogiva termonuclear telecomandada com asas, à bola de ferro esmagadora gigante, à metralhadora de cascas, ao raio minguante, e às caixas cirúrgicamente colocadas à saída das rampas, mais vulgarmente conhecidas como Krippmeister Special.
Vemo-nos no asfalto...
