As vicissitudes do Ego
Num comentário ao post anterior, a Salto-Alto disse o seguinte em relação aos videojogos: “Só gosto de ganhar mesmo. E se for a meninos, melhor. E se os ganhar por mérito meu (e não porque me deixaram) num jogo de futebol ou de corridas, a vitória tem um sabor divinal!”. É certo que ela é advogada e esteve cinco anos a ser treinada para humilhar pessoas em público. Mas esta sua gratificação em se superiorizar ao sexo oposto é generalizada, pelo que a questão mereceu este post.
Eu entendo a Salto. A verdade é que ego masculino vive ainda na era da inquisição. A nossa masculinidade está permanentemente sob escrutínio e deve portanto ser reafirmada a todo o momento. E afirmar a masculinidade passa sobretudo por ser superior às mulheres nas coisas realmente importantes da vida, como por exemplo dizer o abecedário em arrotês, dar chutos numa bolinha de couro, ou conduzir um canalizador italiano com voz de castratto numa corrida de karts. O herege do séc. XXI é aquele que não se mostra apto nestes e muitos outros testes de virilidade instituídos. E como tal é devidamente punido.
- Então e a Angelina pá? Ui, fazia-lhe tudo!
-Por acaso não me seduz nada. É esquelética. Parece que já morreu e ninguém lhe disse. E os lábios? A mulher deve ser alérgica ao próprio batom.
- Paneleiro! Prá fogueira!
Perder num videojogo com uma mulher só é aceitável se fôr no Tricô Simulator, ou quanto muito no Shopping Tycoon. Qualquer outro jogo insere-se no domínio da masculinidade. A mulher que ganhe nesta categoria viril tem não só a satisfação da vitória, como também o bónus de ver o homem a inventar desculpas cretinas para tentar salvar a sua imagem, enquanto clica nervosamente no start para mudar para outro ecrã que não o que diz “YOU LOOSE”.
- Epá fofinha! Se não fosse a ressaca da festa de ontem tinhas levado uma teca!
- Mas querido eu também bebi ontem...
-Sim fofinha, mas como toda a gente sabe 99% do cérebro da mulher é uma massa inerte, portanto dificilmente o alcool afecta aquela minúscula partezinha funcional.
Outra relação complicada para o ego masculino é a do homem baixinho com a mulheraça alta. Já vi de tudo, desde obrigar as moças a andar sempre de salto raso, até carregar um banquinho especialmente para as aparições públicas. Mais ridículo que um homem baixo ao lado de uma mulher alta, é um homem baixo a tentar desesperadamente ser alto ao lado de uma mulher alta a tentar condescendentemente ser baixa.
Estas situações são inevitáveis. São as vicissitudes. Aguente-se. O segredo está em saber tirar o que há de melhor e partilhar a experiência. Eu já estive em ambas, portanto falo-vos do lado da experiência pessoal.
Depois de meses como o campeão inabalável de Mário Kart nos campeonatos da hora de almoço, fui finalmente derrotado pela Joaninha, que com determinação e habilidade se tornou uma corredora exímia. Ela ficou radiante com o seu feito e eu também. Foi uma festa assinalada com post e tudo, e a partir daí a competição tornou-se muito mais divertida, com os campeonatos a serem decididos frequentemente na última corrida. Não houve sequer espaço para egos feridos.
Quanto á questão das mulheres mais altas a resposta é simples: É mais alta? Óptimo! Há mais para escalar :)


