O ponto. A singularidade da proto-dimensão auto contida. O todo adverso à ocupacionalidade espacial. Zero e infinito. Nada menos que a própria pedra basilar na génese da representação gráfica que pauta a praxis da aventura artística humana, desde o nascimento da espécie, até ao momento presente.
Não é possível objectivar um vector omni-descritivo que transpõe a sua própria geometria, rasgando o espaço e recompondo-o simultaneamente num jogo de contrastes tanto lumínicos como dimensionais. É recta, curva, plano e sólido. É forma mas também é fundo. O assassino da gestalt, que é também o seu mais fiel paladino.
Nada demove o ponto. A sua posição é irrelevante. Não há com que relativizar algo em que nada lhe é exterior. O ponto não tem charneira, ainda que a contenha.
O seu negro não é ausência de luz, é anti-luz. É substância. O hiper-contraste que permeia a composição cria um horizonte de eventos que se estende para além da mancha. Estende-se através da dimensão psico-sociológica do observador, com impactos viscerais. É interiorizado e problematizado no primeiro momento da fruição, pois esta é a sua natureza primordial.
No entanto, como objecto artístico, é registo denunciador do gesto que o cria. Sem nunca representar nada mais que tudo, é a majestosa ode ao artista supremo, que libertando uma partícula de traço, dá forma a toda a existência, passada, presente, e futura.

Outra hipótese é esta merda ser um pixel preto num quadrado branco acompanhado de um texto elaborado que para os mais famintos de pedantismo me fará parecer uma autoridade artística e intelectual. É genial. Paguem milhões de euros.