terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Querer e Não Ter

Quer-me parecer que há cerca de 50.000 anos atrás as coisas eram bastante mais simples, ou pelo menos mais lineares. Se o Sr. Ugh tinha um problema, o Sr. Ugh ia buscar a moca ao fundo da caverna e esmagava a cabeça ao problema. Querer alguma coisa que não podia ter não era problemático. Desde que tivesse uma moca maior que a da concorrência, o Sr. Ugh esmagava e levava. Esmagar alguma coisa à mocada era basicamente a solução para 99% dos problemas da altura, fossem eles económicos, alimentares ou amorosos. Belos tempos...

Hoje em dia é tudo muito mais complicado. A vida parece ser uma amálgama caótica de acontecimentos que não controlamos, e que de um momento para o outro calham em nos fazer querer desesperadamente coisas que cinco minutos antes nem sabíamos que existiam. Um pouco como as Testemunhas de Jeová que batem à porta no domingo às nove da manhã para nos dizer que se não comprarmos cem cópias da revista DESPERTAI, vamos para o inferno. Hoje em dia a moca já não resolve. Isto porque tudo tem uma catrefada de consequências sociais e inevitabilidades humanas e vicissitudes deontológicas e parâmetros éticos ou qualquer outra dessas merdas igualmente complicadas. Onde é que está a bela da simplicidade? Quero. Esmago. Levo.
Não posso culpar o destino porque essa treta não me convence. Se Deus despachou o universo em 7 dias, é porque estava com pressa para bazar. Não é gajo para se pôr a escrever destinos para esta gente toda.
Ir à igreja rezar também não me cheira. É preciso ser muito optimista para achar que um boneco de madeira de um tipo semi-nu espetado numa cruz tem coisas mais interessantes a dizer sobre os meus problemas que eu.

Para quem quer algo que não pode ter, a solução parece ser só uma, e quem melhor a pôs por palavras foi um ilustre Arquitecto/Cineasta chamado Tomás Taveira, numa das suas obras videográficas mais representativas:

-"Aguenta e não chora!"

8 comentários:

Karin disse...

Cá p'ra mim o problema está na moca, ou seja, no não ter acesso a uma moca maior. Para ter acesso a uma moca bem grande devias ter nascido numa família que já possuia essas mocas ou numa que sabe como apoderar-se das mocas alheias. Por azar nasceste numa que te ensinou valores alegadamente nobres(honestidade, sinceridade, amizade e outros disparates do género), e a educação limita-nos. Depois, as escolas não nos dão de facto os instrumentos para vencer na vida. Disciplinas como Vigarice I,II e III, Flexiética Avançada, Educação e Formação em Desvio de Fundos e Técnicas de Evasão ao Fisco deveriam de ser essênciais para formar qualquer cidadão que, pobrezinho, não tem pais com conhecimentos suficientes para o ajudar a subir na vida.

Patricia disse...

E o que queres tu meu querido Krippahl?

Ludwig Krippahl disse...

ya... já tens neve, agora é o quê? Estes jovens, nunca estão satisfeitos...

Krippmeister disse...

Quero certas e determinadas coisas, nomeadamente algumas.

Krippmeister disse...

Karin, também me parece que no panorama actual se justificava organizar workshops de fuga para o brasil.

Anónimo disse...

Cheira-me que a noitada de 5ª a jogar Doom não te correu nada bem…
JP

Karin disse...

Tens razão. Quando abrir o meu Colégio Para Quem Sabe O Que Quer estás contratado como acessor de disciplinas mais adequadas ao futuro profissional nacional.

joana disse...

O ser humano é por regra descontente..
Mas pior do que querer e não ter e não queres coisa nenhuma!
BJS
CC